Lápis na mão procure o ponto de fuga
não é um lugar para estar, um lugar pra fugir
nem a cama desforrada que você deixou de dormir
para estar sentado em frente à mesa de vidro
olhando um banco que servirá de exemplo
para um desenho nada lindo
Olhando para o papel
não vá desenhar um mendigo na rua
nem crateras na lua
essas duas coisas acima não possuem elo
esse grafite 6B por enquanto
não vai desenhar um céu
tampouco o sol amarelo
Aprendendo a usar o compasso
perfurando o papel
que de vez em quando amasso
Meu traço nem é tão eclético,
mas vou treinando
porque nos próximos semestres
vai ter desenho técnico
Desenho
sábado, 26 de setembro de 2009
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Tags: Tentativa de Poesia
Vida dura, vida dura... de estudar arquitetura
quinta-feira, 17 de setembro de 2009
O gosto amargo do café na boca, ao lado de coloridas lapiseiras de diferentes espessuras, materiais caros, debruçado sobre a prancheta A3, aquela que assim que eu desço do ônibus sob olhares confusos sobre o que levo naquela maleta branca e desajeitada, e a dúvida não fica apenas nos olhares, pois sempre vem alguém e me pergunta se eu curso desenho e eu prontamente respondo: "não, eu curso arquitetura", leve ou pesada dependendo da quantidade de livros empoeirados e de linguagem atrasada que se pode carregar dentro, aproveitando o espaço interno. As lições de arquitetura já começam por aí, funcionalidade.
Voltando ao gosto amargo do café que dá vontade de tomar mais para me manter acordado até tarde já que amanhã posso me dar ao luxo de dormir uma ou duas horas a mais, cada minuto de sono se torna precioso assim como cada moeda de dez centavos que te faz lembrar do preço das xerox que te mostram que o Niemeyer não é tão bom arquiteto quanto todo mundo pensa.
Mas o gosto amargo do café não é melhor do que a farinha de trigo no cabelo e tinta guache já seca pelo corpo e rosto embaixo de um sol escaldante de cidade litorânea fazendo pedágio em frente ao campus para a festa dos calouros e veteranos do dia do trote e no fim das contas ver que uma reunião de moedas e notas de valores diversos, dois biscoitos e um ticket de estacionamento valem juntos R$235,00; do que o miojo com creme de leite e queijo ralado com uma boa e velha Coca gelada ou uma lasanha com molho mágico junto com a turma falando o que pensa e tentando tocar violão - sagrado almoço, de talheres emprestados pelo vizinho, que precede as tão temidas aulas de geometria descritiva - ; do que dormir na aula de noções de arquitetura e urbanismo por duas vezes deixando o professor pê da vida; do que repetir de forma pomposa, digna de um CDF de ensino médio, uma citação de Goethe que o professor acabou de dizer porque há dezessete segundos atrás perdia a atenção dizendo onde seria uma palestra sobe CAD criativo; do que estar enrolando para fazer o trabalho de introdução ao desenho enquanto escrevo este simplório texto que quase ninguém irá ler e que retrata como é bom (e difícil) ser um estudante de arquitetura.
Ah, vida dura...
Postado por Adal às 23:04 0 comentários
Tags: Crônicas e Contos
Razão Parte 4
sexta-feira, 10 de julho de 2009
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Razão Parte 3
domingo, 5 de julho de 2009
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Razão Parte 2
domingo, 12 de abril de 2009
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Razão
quarta-feira, 8 de abril de 2009
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Dor
quinta-feira, 11 de dezembro de 2008
Fim de um dia nublado, o asfalto molhado, a vida parece passar mais lentamente naquela parte da cidade, sexto andar de um prédio residencial. Garota branca de corpo esguio parada de pé na varanda, seios nus, chorte curto, olhos inchados da tarde que passara trancada em seu quarto chorando, reação do fim do namoro. Seus pais não estão em casa, vão passar o fim de semana fora. Cigarro queima pela metade, ela esquecera de como era o gosto, havia parado pois o namorado odiava o gosto de nicotina nos beijos e o cheiro de fumaça nos cabelos. O uísque quente desce rasgando pela garganta da menina.
Os pedreiros na obra em frente filmam e fotografam a menina com as câmeras megapixel de seus celulares modernos comprados de fornecedores de honestidade duvidosa por um preço tanto quanto acessível, eles não sabem usar nem metade dos recursos. Ela trata os fotógrafos inconvenientes com a mesma indiferença que as cinzas do seu cigarro despejadas prédio a baixo.
Brilho no olhar, as suas lágrimas quentes descem pelo rosto frio refletindo as luzes dos postes que começam a se acender clareando a avenida, onde os carros passam devagar, do seu bairro classe média-alta.
Um blues ou talvez um jazz seria a trilha sonora perfeita para aquele momento tão cinza na vida da jovem que se sente tão incompleta como um espetáculo de teatro sem os seus artistas. A morte havia levado o seu amado.
Postado por Adal às 19:45 18 comentários
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O Preço
quarta-feira, 3 de dezembro de 2008
Garoto sai da frente do computador, lembra-se que tem de ir comprar pão. Levanta, pega o dinheiro. Abre o portão, coloca a cabeça para fora devagar, como um gênio com preguiça de sair da lâmpada, olha para os lados, balança as moedas no bolso, coloca o pé direito para fora.
- Me traga um maço de cigarros. - pede a voz do tio.
- Que marca eu trago? - pergunta o sobrinho, recuando o pé direito.
- Qualquer uma que tiver lá. - responde o tio, deseperado para dar umas baforadas.
- Está bem, eu tinha esquecido que é tudo a mesma porcaria. Todos deixam aquela nuvem de fumaça fedorenta no ar e vão acabar acabar te matando de câncer mais cedo ou mais tarde mesmo. - retrucou o moleque. - Ainda custa o mesmo preço?
Postado por Adal às 19:46 16 comentários
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A Capivarinha
domingo, 28 de setembro de 2008

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Aquele que Observa
sábado, 13 de setembro de 2008
O meio de uma tarde quente de fim de inverno, o movimento no centro da cidade é intenso, o garoto corre para a estação de trem - é melhor se apressar, é melhor se apressar, logo o seu trem irá passar e seu programa favorito você perderá, apenas tome cuidado para não tropeçar.
Viciados em crack andam descalços pelas ruas, pisando no asfalto quente que produz miragens no horizonte cheio de prédios e automóveis, caminham em bando como animais desorientados, talvez procurando uma vítima para roubar ou apenas um lugar para estar.
"Acorde, levante e lute, a Babilônia vai cair!", esbraveja um mendigo sujo enquanto dança em círculos no meio de uma praça por onde as pessoas passam apressadas e nem sequer prestam atenção no seu singular momento de loucura.
É apenas mais uma tarde comum, ele apenas repara demais na coisas que vê pela janela do ônibus quase vazio onde está, e o vento vai batendo no seu rosto e assanhando seu cabelo. Ele queria estar na praia, porém está sentado na da janela do ônibus voltando para casa depois de uma tarde de compras.
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Agradecimento
sábado, 9 de agosto de 2008
Obrigado pelas vezes que eu caí de bicicleta e você não estava lá para me ajudar a levantar, obrigado pelas minhas festas de aniversário que você nunca esteve presente, obrigado pelas vezes que fiquei doente e não tinha você para me levar ao médico, obrigado por não ter me abraçado ou ter me dado carinho quando eu precisei, obrigado por não me ter dado exemplos, por não me dizer o que era certo ou errado, obrigado por me fazer economizar as palavras que eu deveria usar para te chamar, obrigado por tudo o que você não fez pai, pela tua ausência na minha vida. Eu agradeço por tudo isso, pois com os seu erros eu aprendi que devo ser um bom pai no futuro que me espera, um pai de verdade, ou seja, o avesso do que você foi para mim.
Eu te daria uma gravata de presente, e faria questão de dar um nó bem apertado.
Postado por Adal às 14:58 14 comentários
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Um Cigarro
sábado, 10 de maio de 2008
É uma sexta-feira, início da noite, o dia fora chuvoso, o tempo está frio, uma certa neblina toma conta da rua molhada, gotículas de água despencam dos fios dos postes, ele caminha de volta para casa, pega um cigarro dentro do seu bolso, saca um isqueiro e acende a sua droga lícita. Ele prometera a si parar com o vício antes que seus pais comecem a desconfiar, mas dessa vez ele se perdoa, o cigarro é por uma boa causa, ajuda a pensar melhor e a fugir de alguns demônios. Como uma tocha acesa entre os seus dedos que ilumina as sombras das ruas úmidas e escuras por onde passa bem como os seus pensamentos. A ponta flamejante do seu cigarro exala uma densa fumaça, tão densa quanto seus pequenos problemas. Ele olha para cima e dá uma baforada como um dragão chinês que ele quer tanto tatuar nas costas e dá uma gargalhada, por um minuto se sentiu livre. Ele retorna para si e lembra que não está fumando maconha, é apenas um cigarro com aroma de canela.
Já perto de casa ele joga o cigarro no chão e pisa em cima, não foi bem educado com o que lhe proporcionou alguns momentos de alívio, mas ele tem apenas 16 isso já aconteceu e ainda vai acontecer muito, com pessoas, o que é pior.
Postado por Adal às 14:53 14 comentários
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Na Praia
segunda-feira, 31 de março de 2008
Fim de tarde, momentos antes do pôr-do-sol, areia nos pés, as ondas calmas no imenso mar azul, amigos, Coca-Cola na lata, pessoas indo e vindo, turistas, calçadão, avenida, carros, movimento. O vento assanha os meus cabelos, risos, conversa fiada e sem preocupação, sensação de liberdade, bermuda, camiseta de cor clara, carrego os meus chinelos na mão. Câmeras digitais, fotos, celular tocando no bolso de trás, tapioca no restaurante e bons momentos que são eternos enquanto duram.
Postado por Adal às 18:53 10 comentários
Tags: Crônicas e Contos






